Legislativo, Executivo, Judiciário e Mídia. Muitos livros, filmes, abordam justamente a questão de um 4º poder e o colocam como o mais forte dos três. Sendo capaz de até mesmo influenciar decisivamente uma eleição. Será que esse poder veio para quebrar a democracia e ela mesma escolher quem deve ou não governar o país? Quem dita as regras?“A mídia não tem influência na decisão das eleições porque estamos falando de milhões e não de mil pessoas”, afirma o jornalista Joaquim Alessi. Segundo o relatório de março do Instituto verificador de circulação, IVC, o Jornal que tem a maior circulação de exemplares em SP é a Folha, com 292 mil e 626. Se juntarmos as maiores tiragens do Estado ficamos com 522 mil e 627 exemplares. Sendo que São Paulo tem aproximadamente 18 milhões de habitantes, ou seja, os jornais impressos só atingem 3% da população.
Como dizer que a mídia elege um candidato? O jornal impresso não é o único meio de comunicação, mas se somarmos todos os meios será que conseguiremos o 100%? Dizer e pensar que a mídia é a influência para que o candidato ganhe ou não é impensável.
“A mídia tem o poder de destruir um adversário e não de eleger alguém”, afirma o jornalista Joaquim Alessi. Quem escolhe e vota é a população. O jornalista ainda comenta que essa ideia de que a mídia influencia as pessoas vem da imagem da eleição do Collor com a Rede Globo. “Dificilmente alguém muda a opinião com um debate, o Collor ganhava de qualquer modo.”
Quando a mídia denuncia casos corruptos ela está alertando a população e não influenciando, porque você pode ouvir a matéria não ligar e votar no candidato. É uma questão de escolha. O trabalho dela é relatar o que acontece, mas quem vota é você. Assim como ela pode criticar as propostas políticas, o atual governante, mas ela não te obriga a votar em determinado candidato.
O filme Advogado do Diabo dirigido por Taylor Hackford mostra justamente essa questão de buscarmos culpados no sistema, na crise, no governo, na impunidade, na violência, para escondermos que as escolhas sempre foram nossas. Um trecho do filme que evidencia bem esse aspecto é quando o Diabo explica para o Kevin o porquê de tê-lo ‘escolhido’. “Não faço as coisas acontecer. É como as asas da borboleta, se você as toca, não saem do chão. Só preparo o palco, você manipula as cordas.”No nosso caso jogamos a culpa na mídia por nos influenciar a votarmos em determinados candidatos para suprirmos nossos erros. Portanto não importa quem dita as regras, mas sim quem tem o poder de escolha






